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FMI prevê 2026 com emergentes no comando e potências em marcha lenta

O relatório World Economic Outlook, divulgado pelo Fundo Monetário Internacional em outubro de 2025, em conjunto com os dados do IMF DataMapper, desenha um cenário inequívoco para 2026: o crescimento econômico mundial continuará moderado, mas o comando da expansão global já não está mais nas mãos das potências tradicionais. Quem dita o ritmo agora são os países emergentes e em desenvolvimento, que avançam mais rápido e redesenham o eixo da economia internacional.

Segundo o FMI, a economia global deve crescer cerca de 3,1% em 2026, um leve arrefecimento em relação a 2025. As economias avançadas seguem em ritmo lento, com projeções entre 1,5% e 1,6%, refletindo limites estruturais conhecidos. Já os mercados emergentes e em desenvolvimento mantêm uma expansão conjunta acima de 4%, consolidando uma diferença clara em relação ao bloco desenvolvido. Para o Fundo, esse descompasso não é conjuntural: decorre do envelhecimento populacional, da produtividade estagnada nas economias maduras e da permanência de choques comerciais e políticas protecionistas que travam o crescimento dos países ricos.

Os dados mais recentes confirmam que a liderança em taxas de crescimento está concentrada fora do eixo tradicional. Países africanos e economias menores, especialmente aquelas ancoradas em commodities, mineração, energia e investimentos em infraestrutura, aparecem com algumas das maiores projeções percentuais do mundo, muitas vezes acima de 6%, ainda que partam de bases econômicas reduzidas. A Índia segue como o principal destaque entre as grandes economias, com crescimento estimado entre 6,2% e 6,6% em 2026, reforçando sua posição como a grande locomotiva do crescimento global entre os países de grande porte. No Sudeste Asiático, Indonésia e outros membros da ASEAN mantêm taxas próximas ou superiores a 5%, consolidando a região como novo polo industrial e de serviços digitais. A China, por sua vez, cresce menos do que no passado: a projeção gira em torno de 4,2% em 2026, ainda elevada para o tamanho de sua economia, mas inferior ao ritmo das grandes emergentes.

Entre as grandes potências, o contraste é evidente. Os Estados Unidos devem permanecer como a maior economia do mundo em termos de PIB nominal, com cerca de US$ 31,8 trilhões em 2026, mas com crescimento modesto, próximo de 2,1%. A China segue como a segunda maior economia, com aproximadamente US$ 20,6 trilhões, crescendo mais rápido que as economias avançadas, porém em trajetória de desaceleração. Os números deixam claro que tamanho econômico já não significa liderança em crescimento acelerado.

O Brasil aparece como reflexo desse novo eixo global, mas sem protagonismo. As projeções do FMI indicam crescimento entre 2,1% e 2,3% em 2026, um desempenho estável, porém abaixo da média dos emergentes, que supera os 4%. Fatores estruturais pesam contra o país: produtividade baixa, incertezas ligadas ao ambiente externo e às políticas comerciais, além de um investimento que segue acomodado. O resultado é um crescimento que não acompanha o dinamismo observado em outras economias em desenvolvimento.

Esse conjunto de dados aponta para uma nova hierarquia econômica baseada na velocidade de expansão, e não apenas no tamanho do PIB. Emergentes, especialmente na África e na Ásia, puxam o crescimento real, enquanto países desenvolvidos avançam lentamente e economias médias, como o Brasil, ficam no meio do caminho. O centro de gravidade da economia mundial está mudando, impulsionado pela capacidade de crescimento e de atração de investimentos no longo prazo.

O FMI, no entanto, alerta para riscos relevantes no horizonte. O avanço do protecionismo, tarifas comerciais, tensões geopolíticas, choques de oferta, fragilidades fiscais e financeiras e a volatilidade dos mercados podem comprometer essas projeções e empurrar o crescimento global para baixo do já modesto 3,1% previsto para 2026.

O ano de 2026, portanto, não será marcado por uma explosão econômica global, mas por uma reconfiguração silenciosa. Mercados emergentes, sobretudo africanos e asiáticos, ditam o ritmo, enquanto as potências tradicionais avançam com cautela. O Brasil participa desse cenário, mas está longe de liderar. O eixo da economia mundial está, lentamente, mudando de lugar.

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