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Flávio Bolsonaro e Lula tecnicamente empatados

Levantamento recente do instituto Veritá aponta um cenário de empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. A diferença entre os dois é inferior a um ponto percentual, dentro da margem de erro. O dado é relevante porque ocorre em um contexto de amplo uso da máquina estatal por parte do governo federal, seja por meio de políticas assistenciais expansivas, seja pela pressão institucional sobre adversários políticos. Mesmo assim, o lulismo não conseguiu converter poder em hegemonia eleitoral.

O resultado revela algo mais profundo que uma simples disputa de nomes. O Brasil permanece rachado ao meio. De um lado, uma parcela significativa da população ainda acredita na narrativa oficial de prosperidade prometida pelo atual governo. Do outro, há milhões de brasileiros que já não compram esse discurso e enxergam na alternância de poder a única chance de reconstrução institucional, econômica e moral do país.

A pesquisa Veritá se soma a outros levantamentos recentes que mostram erosão gradual da popularidade do governo, especialmente nos grandes centros urbanos e entre eleitores de classe média e média baixa produtiva. Embora Lula ainda conserve força no Nordeste e entre beneficiários diretos de programas sociais, a vantagem histórica vem encolhendo. Em pleitos passados, diferenças de cinco a oito pontos eram comuns. Hoje, fala se em décimos.

Parte central desse cenário está na dependência estrutural criada ao longo de décadas. Dados oficiais indicam que entre 93 e 94 milhões de brasileiros estão inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal. Isso não significa que todos recebam benefícios mensais, mas mostra a dimensão da população que depende direta ou indiretamente de transferências estatais. Bolsa Família, Auxílio Gás, BPC, tarifa social de energia e outros mecanismos formam uma rede que garante o básico, mas não promove saída sustentável da pobreza.

Esse modelo não gera autonomia. Mantém o cidadão no mínimo existencial, sem poupança, sem mobilidade social e sem perspectiva de ascensão. Ao longo do tempo, cria dependência política. O voto deixa de ser escolha racional sobre o futuro do país e passa a ser instrumento de sobrevivência imediata. Isso não é inclusão social. É gestão da escassez.

Enquanto isso, indicadores estruturais seguem estagnados. O crescimento econômico é baixo quando descontada a inflação. O investimento produtivo continua tímido, girando em torno de 17 por cento do PIB, patamar insuficiente para sustentar desenvolvimento de longo prazo. A produtividade do trabalho segue parada. O país cresce pouco, arrecada muito e devolve mal.

O empate técnico captado pela Veritá mostra que esse modelo começa a perder força simbólica. Mesmo entre beneficiários, cresce a percepção de que o custo de vida aumentou, que o poder de compra diminuiu e que a promessa da “picanha com cervejinha” ficou no marketing eleitoral. A realidade é inflação de alimentos, informalidade elevada e serviços públicos precários.

Do lado oposto, Flávio Bolsonaro herda um capital político que não vem apenas do sobrenome. Ele representa, para muitos eleitores, a rejeição ao sistema que voltou ao poder. Representa a memória de um período recente em que, goste se ou não do estilo, houve enfrentamento direto às velhas estruturas, redução do tamanho do Estado em alguns setores e maior liberdade econômica.

O dado central da pesquisa é claro. Mesmo com máquina, verba, mídia simpática e aparato institucional, o lulismo não unificou o país. O Brasil continua dividido entre quem aceita viver administrado pela dependência estatal e quem aposta em um modelo baseado em trabalho, autonomia e liberdade. O empate técnico não é apenas eleitoral. É um retrato fiel de uma nação em disputa pelo próprio futuro.

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