O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, reafirmou em março de 2026 que facções criminosas brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são consideradas “ameaças significativas à segurança regional”. A declaração reacendeu o debate em Washington sobre a possibilidade de classificar formalmente esses grupos como organizações terroristas estrangeiras, o que ampliaria drasticamente o alcance das medidas de combate ao narcotráfico.
Atualmente, o PCC já está incluído em listas de sanções financeiras do Departamento do Tesouro dos EUA desde 2021, o que permite congelamento de ativos, bloqueio de transações e restrições contra indivíduos ou empresas ligadas à facção. No entanto, setores do governo e do Congresso americano defendem um passo além: enquadrar grandes organizações criminosas latino-americanas na legislação antiterrorismo.
Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, essas facções têm ampliado sua atuação para além do território brasileiro, participando de redes internacionais de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e contrabando de armas. O relatório aponta que a capacidade dessas organizações de controlar territórios, financiar operações transnacionais e gerar violência sistemática representa um risco regional crescente.
Dentro da política de segurança americana, existe pressão para que o narcotráfico organizado seja tratado com a mesma rigidez aplicada a grupos terroristas. Caso essa classificação seja adotada oficialmente, os Estados Unidos poderiam ampliar sanções econômicas, intensificar operações internacionais e até justificar ações mais agressivas de segurança contra redes criminosas ligadas a essas facções.
A discussão, porém, gera tensão diplomática com o Brasil. O governo brasileiro tem buscado evitar essa classificação, argumentando que as diretrizes internacionais da Organização das Nações Unidas diferenciam terrorismo de crime organizado. Na legislação brasileira, o terrorismo é definido por motivações ideológicas, políticas ou religiosas, enquanto as facções criminosas atuam principalmente com objetivos financeiros ligados ao mercado ilegal de drogas e armas.
Especialistas em direito internacional alertam que a classificação de organizações criminosas como terroristas pode abrir precedentes delicados, inclusive para eventuais pressões externas ou cooperação militar internacional em território estrangeiro. Por outro lado, setores de segurança argumentam que o crescimento e a sofisticação dessas facções exigem novas ferramentas jurídicas e operacionais.
Até março de 2026, nenhuma decisão final foi anunciada pelo governo americano, mas a postura de Washington indica um endurecimento claro. O narcotráfico ligado a grandes facções brasileiras passou a ser tratado como um tema prioritário de segurança nacional para os Estados Unidos, o que pode alterar o cenário de cooperação internacional no combate ao crime organizado.








