Daniel Vorcaro, Dono do Banco Master, é Preso em Operação da PF Contra Fraudes no Sistema Financeiro
O cenário financeiro brasileiro foi abalado nesta terça-feira (18) com a prisão de Daniel Vorcaro, de 42 anos, dono e controlador do Banco Master. O banqueiro foi detido pela Polícia Federal (PF) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando se preparava para embarcar em um avião particular com destino a Dubai. A prisão é o desdobramento mais recente da **Operação Compliance Zero**, que investiga um sofisticado esquema de emissão de títulos de crédito fraudulentos que, segundo os investigadores, colocou em risco a solidez do Sistema Financeiro Nacional.
A operação, deflagrada em cinco unidades da federação – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal –, cumpriu um total de cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão. Além de Vorcaro, foi preso o empresário baiano Augusto Lima, seu ex-sócio no Banco Master. A defesa do banqueiro alega que a viagem a Dubai tinha como objetivo fechar negócios, mas a PF suspeita de uma tentativa de fuga.
O Esquema e a Investigação
As investigações da Operação Compliance Zero tiveram início em 2024, após o Banco Central (BC) identificar irregularidades e acionar o Ministério Público Federal (MPF). O cerne da fraude, segundo a PF, era a “fabricação” de carteiras de crédito sem lastro real. Na prática, o Banco Master emitia títulos que supostamente representavam dívidas a serem pagas pelo governo ou outros direitos creditórios, mas que não possuíam documentação ou existência comprovada.
Esses papéis “insubsistentes” eram então negociados e vendidos a outras instituições financeiras, incluindo o Banco de Brasília (BRB), que adquiriu parte dos títulos fraudulentos. Quando a fiscalização do Banco Central se intensificou, os investigados teriam tentado encobrir o esquema substituindo os ativos falsos por outros, que também não passaram por uma avaliação técnica adequada, reforçando o caráter deliberado da manipulação contábil. Os crimes apurados incluem gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa e falsidade documental.
O Epicentro da Crise: Banco Master
Fundado em 1996 como Banco Investmaster, a instituição foi reestruturada em 2018, quando Daniel Vorcaro, economista com MBA pelo Ibmec, assumiu seu controle e o rebatizou como Banco Master. Sob sua gestão, o banco especializou-se em operações de crédito estruturadas, ganhando notoriedade no mercado. Vorcaro também expandiu seus interesses para o esporte, tornando-se acionista da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG, um investimento cuja origem do dinheiro também é alvo de investigação por possível conexão com o PCC.
O timing da prisão de Vorcaro é notável. Ocorreu menos de 24 horas após a **Fictor Holding Financeira**, em parceria com investidores dos Emirados Árabes Unidos, anunciar a intenção de comprar o Banco Master, com um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar seu caixa. A transação, que ainda dependia de aprovação do BC e do CADE, foi efetivamente cancelada pela crise.
Em uma ação rápida e enérgica, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial tanto do Banco Master quanto de sua corretora de câmbio, a Master S.A. Corretora de Câmbio. Adicionalmente, determinou a indisponibilidade dos bens de todos os controladores e ex-administradores da instituição, buscando garantir o ressarcimento de possíveis prejuízos. Este desfecho dramático ocorre meses após o mesmo BC ter vetado, em setembro de 2025, uma tentativa de aquisição de parte do banco pelo BRB, sinalizando que as preocupações com a saúde da instituição já eram elevadas.
O caso expõe, segundo os investigadores, um “total desprezo pelas regras básicas de compliance” e serve como um alerta sobre a vigilância contínua necessária para manter a integridade do sistema financeiro do país. Enquanto Daniel Vorcaro permanece detido na Superintendência da PF em São Paulo, o mercado aguarda os próximos capítulos de uma das mais significativas operações contra crimes de colarinho branco dos últimos anos.










