Trump decreta “fechamento total” do espaço aéreo da Venezuela enquanto intensifica pressão militar
No sábado (29/11/2025), Trump declarou que o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela deve ser considerado “fechado em sua totalidade”. Em uma mensagem publicada via sua rede social oficial, ele dirigiu-se a companhias aéreas, pilotos e até, nominalmente, a “traficantes de drogas e de pessoas” alertando para que não sobrevoem territórios venezuelanos.
O anúncio ocorre em meio a uma escalada de tensões com Caracas: os Estados Unidos têm aumentado drasticamente sua presença militar no Caribe e no Pacífico, e iniciado operações navais e aéreas voltadas ao combate ao narcotráfico, incluindo bombardeios de embarcações suspeitas de contrabando.
Impactos imediatos: caos na aviação e nova rodada de sanções
A declaração de Trump gerou uma onda de interrupções no tráfego aéreo internacional que liga a Venezuela ao resto do mundo. Grandes companhias como Iberia, TAP, Avianca, LATAM e Gol, decidiram suspender voos para o país, ou já haviam feito isso após alerta da Federal Aviation Administration (FAA) sobre o agravamento da situação de segurança venezuelana.
Em represália, o governo de Nicolás Maduro revogou os direitos de operação de pelo menos seis dessas companhias, numa retaliação que amplia o isolamento do país.
Pressão militar dos EUA e ameaça de ação terrestre
O movimento de fechar o espaço aéreo não é um gesto isolado. A administração Trump vem posicionando um robusto contingente militar no Caribe, incluindo o porta-aviões USS Gerald R. Ford, acompanhado por navios de guerra, aviões de combate e forças navais, em nome do combate ao tráfico de drogas, segundo Washington.
Na quinta-feira anterior, Trump afirmou que os EUA planejam “em breve” iniciar operações terrestres contra supostos traficantes venezuelanos, sinalizando escalada de confrontos, possivelmente além do mar e do ar.
Especialistas de direitos humanos, diplomatas latino-americanos e organismos internacionais já apontam a grave possibilidade de que a decisão configure uma escalada violenta e ilegal, além de intensificar a crise humanitária e migratória na região.
Reações internacionais e acusações de “imperialismo aberto”
A decisão provocou condenações de diversos governos da América Latina e de organizações internacionais, que alertam para risco de intervenção militar direta, ruptura de normas internacionais de soberania e aumento da instabilidade regional.
Para Caracas, o ato representa uma agressão clara aos direitos soberanos da Venezuela, segundo autoridades venezuelanas, os EUA buscam forçar uma mudança de governo sob pretexto de combate ao narcotráfico.
Analistas internacionais classificam o movimento como um “ponto de inflexão” na política externa dos EUA na América Latina, de pressão diplomática para ameaça aberta de uso da força.
O que está em jogo é o risco de guerra, crise humanitária e volatilidade geopolítica
Com o espaço aéreo fechado, companhias suspensas e possibilidade real de operações militares no solo venezuelano, a incerteza reina. A medida complica laços comerciais, humanitários e diplomáticos, e alimenta receios de uma operação de invasão ou incursão territorial.
Para governos da região, inclusive o do Brasil e organizações internacionais de direitos humanos, a crise pode desencadear uma onda migratória, colapso econômico em Venezuela e nova escalada de violência na fronteira com países vizinhos.
A comunidade internacional observa atentamente: o desfecho dessa disputa pode remodelar o equilíbrio de poder no Caribe e na América do Sul por muitos anos.










