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Cidades do Pará entram no mapa do risco climático extremo

Alenquer e Oriximiná estão entre as oito cidades brasileiras com maior risco urbano climático, segundo índice da Unifesp e do Ministério das Cidades. O alerta expõe vulnerabilidades amazônicas e cobra ação urgente do poder público.

Alenquer e Oriximiná, no oeste do Pará, foram incluídas entre as oito cidades brasileiras em situação mais crítica de risco urbano climático, de acordo com um novo índice desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo em parceria com o Ministério das Cidades. O levantamento, divulgado por portais nacionais e regionais, como o Jeso Carneiro, analisa todos os municípios do país e classifica a vulnerabilidade de cada um diante de fenômenos climáticos extremos.

Além das duas cidades paraenses, o grupo de “risco urbano climático muito alto” inclui Campo Grande e Coronel Sapucaia, no Mato Grosso do Sul, Cuiabá, no Mato Grosso, Ipojuca, em Pernambuco, e Bandeira do Sul e Padre Carvalho, em Minas Gerais.

O que o índice mede

O Índice de Risco Urbano Climático (IRUC) avalia não só os eventos climáticos, mas também a capacidade de resposta das cidades. Ele cruza dados de vulnerabilidade social, infraestrutura urbana, saneamento, habitação, mobilidade e gestão de riscos. O objetivo é identificar municípios com maior propensão a enchentes, deslizamentos, ondas de calor e mudanças bruscas no regime de chuvas.

Mais de 85 por cento dos municípios brasileiros não possuem planos estruturados de adaptação climática. Essa ausência de planejamento pesa ainda mais em cidades com infraestrutura frágil e desigualdade social elevada, como é o caso de diversas regiões da Amazônia.

Por que Alenquer e Oriximiná preocupam

Ambas apresentam fatores típicos de cidades amazônicas: expansão urbana desordenada, grandes áreas ribeirinhas sujeitas a cheias, saneamento insuficiente e dependência de estradas e vias fluviais vulneráveis ao clima. Quando ocorrem chuvas intensas ou secas severas, bairros inteiros podem ficar isolados, serviços públicos entram em colapso e a população mais pobre sofre primeiro e com mais intensidade.

A classificação critica não é apenas estatística: ela revela que o clima extremo já está pressionando a vida cotidiana. Ondas de calor mais longas, enchentes acima da média e instabilidade hídrica têm se tornado frequentes na região.

Como isso afeta São Paulo e o Grande ABC

Embora o alerta pareça distante, ele serve como espelho para São Paulo e para o Grande ABC, regiões densamente urbanizadas e com histórico de enchentes e ilhas de calor. O índice mostra que não se trata apenas de um problema amazônico, mas de uma crise urbana nacional.

Para áreas do Grande ABC, onde urbanização acelerada e desigualdades convivem lado a lado, os riscos climáticos também se amplificam. A falta de drenagem adequada, moradias precárias em encostas e áreas de várzea e a ausência de planos modernos de adaptação podem gerar situações semelhantes às vistas em cidades amazônicas: transporte interrompido, comércio afetado, saúde pressionada e aumento de prejuízos econômicos.

Como isso afeta o Brasil

A lista das oito cidades é só a ponta do iceberg. O levantamento mostra um país estruturalmente vulnerável aos eventos climáticos, com centenas de municípios em situação preocupante. A combinação de desigualdade social, falta de planejamento e clima extremo cria uma tempestade perfeita.

Em nível nacional, três pontos se destacam:

  1. Gestão municipal limitada – Prefeituras sem equipes técnicas ou recursos recorrentes para adaptação climática.
  2. Desigualdade que multiplica impactos – Moradores de periferias, áreas irregulares e comunidades ribeirinhas são sempre os mais atingidos.
  3. Riscos econômicos crescentes – Desastres influenciam transporte, agricultura, indústria e até a confiança de investidores.

Opinião editorial

Os casos de Alenquer e Oriximiná deixam claro que o Brasil precisa transformar a agenda climática em ação concreta. Saneamento, drenagem, moradia segura e defesa civil moderna não são luxo: são políticas de sobrevivência urbana. O país sabe onde estão os maiores riscos. Falta decisão política.

Qual deve ser a prioridade? Moradia, saneamento, defesa civil ou todas juntas?

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