O Nordeste brasileiro virou o maior polo de investimentos chineses da América Latina. Desde o início do governo Lula, em 2023, gigantes da China Continental despejaram cerca de R$ 48 bilhões na região em fábricas, parques eólicos, minas de ouro, linhas de transmissão e até hidrogênio verde. Não se trata de compra de território, mas de algo igualmente transformador: a China está assumindo o controle de ativos estratégicos e concessões de serviços públicos no coração do Brasil.
O maior investimento individual é da State Grid, estatal chinesa de energia que venceu o maior leilão de transmissão da história do país. O projeto, avaliado em R$ 23 bilhões, prevê a construção da maior linha de transmissão do mundo, conectando o Nordeste com sua abundância de vento e sol ao Centro-Oeste e Sudeste. É o maior aporte único da empresa fora da China.
Na Bahia, a transformação é visível. A BYD, gigante chinesa de veículos elétricos, comprou a antiga fábrica da Ford em Camaçari e está construindo a maior unidade da empresa fora da Ásia, com investimento de até R$ 10 bilhões, capacidade para 600 mil veículos por ano e geração de mais de 15 mil empregos. No mesmo polo industrial, a Goldwind instalou sua primeira fábrica de aerogeradores fora da China, produzindo turbinas para os parques eólicos da região.
Também na Bahia, a mineradora CMOC (China Molybdenum) obteve autorização judicial, em março de 2026, para assumir minas de ouro nos municípios de Santaluz e Barrocas, anteriormente operadas pela canadense Equinox Gold, em negócio avaliado em US$ 1 bilhão.
Em Pernambuco, o Porto de Suape recebe um megacomplexo de R$ 8 bilhões para produção de hidrogênio verde e metanol, iniciado em 2026 com participação da estatal chinesa SPIC. No Ceará, duas montadoras chinesas já ocupam complexos industriais para fabricação de elétricos e híbridos. Na Paraíba, a CEEC comprou uma usina solar por R$ 520 milhões em novembro de 2025. No Rio Grande do Norte, a CGN Brasil expandiu parques eólicos com cerca de R$ 800 milhões, enquanto a Shein firmou parceria com a Coteminas para nacionalizar produção têxtil.
O perfil mudou: a China parou de comprar apenas commodities e passou a instalar indústria, dominar transmissão de energia e explorar minerais críticos. Tudo dentro da lei brasileira, mas com presença cada vez mais estrutural no território nordestino.









