O Brasil acaba de perder sua última grande produtora de alumínio de capital 100% nacional. O Grupo Votorantim fechou a venda do controle da CBA (Companhia Brasileira de Alumínio) por R$ 4,69 bilhões para um consórcio formado pela estatal chinesa Chinalco (Chalco), com 67% da fatia, e pela anglo-australiana Rio Tinto, com os 33% restantes. Considerando a oferta pública de aquisição para minoritários e a assunção de dívidas, o valor total da operação chega a impressionantes R$ 10,7 bilhões. O CADE aprovou o negócio sem restrições em março de 2026, enterrando mais de 70 anos de controle da família Ermírio de Moraes sobre a companhia.
A CBA não é uma empresa qualquer. Responsável por 30% a 35% de toda a produção nacional de alumínio primário, ela é a única produtora do país com operação totalmente integrada — da mineração de bauxita à fabricação de produtos transformados. Em 2025, registrou receita líquida de R$ 8,79 bilhões, com capacidade instalada de 480 mil toneladas por ano. É também referência global em alumínio de baixo carbono, produzido com 100% de energia renovável, o que a colocava no topo do debate ESG mundial.
Os impactos da operação são profundos e multidimensionais. No campo geopolítico, a bauxita e o refino passam a responder a diretrizes de Pequim, o que abre o risco de priorizar a exportação do metal bruto em detrimento da indústria de transformação nacional. No campo energético, a CBA é um dos maiores consumidores de energia do país e possui suas próprias hidrelétricas — ativos estratégicos que agora estão sob gestão chinesa. No mercado de capitais, investidores já monitoram se o novo controlador manterá transparência e dividendos ou redirecionará os lucros para suprir a demanda da Ásia.
Há ainda o risco concreto de desabastecimento interno: com a Chinalco no comando, a prioridade pode se deslocar para exportações, prejudicando setores automotivo e de embalagens que dependem do alumínio local.
O movimento não é isolado. Trabalhadores brasileiros em Irecê, na Bahia, foram substituídos por chineses em operações ligadas ao avanço do capital chinês no país — um padrão que cresce silenciosamente sob o governo Lula. Enquanto o Palácio do Planalto comemora investimentos estrangeiros, críticos alertam: o que se chama de parceria pode ser, na prática, uma nova forma de colonização econômica — desta vez, patrocinada pelo Estado brasileiro.








