O PSD oficializou neste dia 30 de março a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República nas eleições de 2026. O anúncio foi feito pelo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, em São Paulo.
O caminho para Caiado ficou livre após disputas internas. A decisão ganhou força definitiva após a saída de Ratinho Jr. da disputa interna, na semana anterior. Com isso, a concorrência ficou concentrada entre Caiado e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, mas o partido acelerou o processo e optou por não arrastar a escolha até o limite legal de desincompatibilização.
Caiado deixou o União Brasil no fim de janeiro alegando que não teria espaço para uma candidatura presidencial na legenda, e foi acolhido pelo PSD. A filiação foi oficializada em 16 de março, em Goiás, com a presença de Kassab.
No discurso de lançamento, Caiado mirou dois alvos ao mesmo tempo. De um lado, atacou a polarização. O presidenciável defendeu que a eleição “não pode ser revanche” e afirmou que “o brasileiro está com o saco cheio de ouvir todo dia essa conversa.” De outro, fez uma crítica direta ao seu principal concorrente no campo da direita, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): declarou que o senador “não tem vivência nem experiência para governar” o país, e que “não dá para aprender a governar sentado na cadeira.”
Ao mesmo tempo, Caiado fez acenos ao eleitorado bolsonarista. Prometeu que, se eleito, seu primeiro ato seria conceder anistia ampla, geral e irrestrita, citando o ex-presidente Jair Bolsonaro e os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. As pesquisas mostram um cenário desafiador. Nas simulações de segundo turno, Caiado perderia para Lula por 44% a 32% (Quaest) e 46% a 36% (Datafolha). No primeiro turno, o governador oscila entre 3% e 4% nos levantamentos mais recentes. Seu trunfo, porém, é a rejeição mais baixa do que a de Lula e Flávio Bolsonaro, e uma aprovação de quase 90% em Goiás.
O presidente do PSD, Kassab, afirmou acreditar que Caiado tem “mais chances de chegar ao segundo turno” — e que, chegando lá, venceria a eleição. Para a base governista, a aposta soa como otimismo excessivo. Para a direita, é uma guerra de posicionamento que vai muito além das urnas.
Fontes consultadas: Tribunal Superior Eleitoral — calendário eleitoral 2026 (www.tse.jus.br); PSD Nacional (www.psd.org.br); Agência Brasil/EBC (agenciabrasil.ebc.com.br).










