O ex-deputado federal, pastor evangélico e bombeiro militar Cabo Daciolo anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo partido Mobiliza, com a filiação ocorrida em 3 de abril de 2026. Com o movimento, ele desistiu de disputar uma vaga no Senado, como havia sinalizado no mês anterior.
Cabo Daciolo anunciou a sua pré-candidatura
O anúncio foi feito por meio das redes sociais, onde Daciolo publicou uma foto ao lado de Antônio Carlos Massarollo, presidente da legenda, acompanhada da citação bíblica “Quando os justos governam, o povo se alegra.” O partido Mobiliza é o antigo PMN (Partido da Mobilização Nacional). Mantendo o tom de sempre, o pré-candidato prometeu “transformar a colônia brasileira em nação brasileira“, em referência ao ex-deputado Enéas Carneiro, figura que cita com frequência. Ele passa a integrar uma lista que inclui nomes como o presidente Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PSDB) e Ronaldo Caiado (União Brasil).

Quem é Cabo Daciolo e o que aconteceu com ele
Nascido em Florianópolis em 1976, Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos ficou conhecido nacionalmente em 2011 ao liderar a greve do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, episódio que rendeu até uma prisão de nove dias no presídio Bangu I. Em 2014, foi eleito deputado federal pelo PSOL e, desde então, passou por partidos como Avante, Patriota, Podemos, PL e PDT. É pai de três filhos e foi casado com a jornalista Cristiane Daciolo, falecida em agosto de 2023 em decorrência de complicações de uma leucemia diagnosticada em 2018. De denominação pentecostal, frequentou a Igreja Bola de Neve após sua conversão e depois tornou-se membro da Assembleia de Deus, embora hoje se apresente como “servo de Deus” sem vínculo institucional fixo.
Em 2021, já com pré-candidatura anunciada para 2022, desistiu da corrida presidencial alegando ter recebido um “chamado do Espírito Santo” e declarou apoio a Ciro Gomes. No mesmo ciclo eleitoral, lançou pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro pelo Pros e, um mês depois, filiou-se ao PDT para disputar o Senado, recebendo 3,49% dos votos válidos e terminando em sexto lugar.
Se envolveu em polêmica quando foi candidato a presidente no passado
A campanha presidencial de 2018 pelo Patriota foi marcada por momentos que dominaram as redes sociais. A polêmica mais lembrada ocorreu num debate na Band, quando Daciolo questionou Ciro Gomes sobre a suposta URSAL, sigla para União das Repúblicas Socialistas da América Latina. O termo havia sido criado como piada na internet, mas Daciolo o tratou como um plano real de dominação comunista, viralizando o assunto no país inteiro. Além disso, o candidato passou boa parte da campanha no Monte das Oliveiras, no bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro, alegando ameaças de grupos como os Illuminati e a maçonaria, e fazendo lives religiosas no lugar de comícios tradicionais. Leu passagens bíblicas durante debates televisivos, exigiu a retirada de réplicas da Estátua da Liberdade de lojas da Havan e afirmou que expulsaria sociedades secretas do Brasil se eleito.
Futuro político
Apesar do estilo incomum, Daciolo terminou 2018 com 1,26% dos votos válidos e 1.348.323 votos, superando nomes como Henrique Meirelles (MDB), Marina Silva (Rede) e Álvaro Dias (Podemos). Em 2026, agora pelo Mobiliza, ele volta à cena como opção para o eleitor antissistema. A tendência é que os institutos de pesquisa passem a incluir seu nome nos cenários estimulados a partir da segunda metade de abril.










