A educação brasileira atravessa uma crise estrutural profunda, marcada por analfabetismo funcional, baixo desempenho internacional, disputas ideológicas e corrupção que consome recursos públicos. O país mantém um sistema que certifica, mas não transforma. Distribui diplomas, mas não entrega conhecimento. Produz números para relatórios, não cidadãos preparados para enfrentar o mundo real.
O Brasil é campeão em matrículas e aprovações automáticas. Celebra índices internos que pouco dizem sobre aprendizagem efetiva. O que deveria ser o principal motor de desenvolvimento nacional foi reduzido a uma engrenagem burocrática focada em “passar de ano”. O resultado é um sistema que gira sem mover o país. Após anos na escola, milhões de brasileiros seguem sem domínio básico de leitura, escrita e raciocínio lógico.
O dado mais alarmante está na aprendizagem real: 29% da população entre 15 e 64 anos é analfabeta funcional, o equivalente a cerca de 38 milhões de pessoas. Entre jovens de 15 a 29 anos, o índice subiu após a pandemia, revelando uma geração que sabe assinar o nome, mas não interpretar um texto simples. Esse fracasso se confirma nas avaliações internacionais. No PISA, o Brasil permanece estagnado, com desempenho que representa até quatro anos de atraso escolar em relação aos países desenvolvidos. Na América Latina, nações com menos recursos econômicos, como Chile, Uruguai e Peru, já superaram o Brasil em qualidade educacional.
O atraso se estende ao ensino de idiomas e tecnologia. O país caiu para o grupo de proficiência muito baixa em inglês, e a maioria das escolas públicas oferece ensino precário, sem método, carga horária ou professores especializados. Em tecnologia, iniciativas como programação e robótica são raras e pontuais, nunca resultado de uma política pública consistente.
Enquanto falha no básico, o sistema abre espaço para a doutrinação ideológica, especialmente no ensino superior. Em vez de formar profissionais capacitados e cidadãos críticos, parte das instituições prioriza militância política, ocupando o espaço que deveria ser dedicado à ciência, à lógica, à inovação e à formação ética.
A crise é agravada pela corrupção. Investigações recentes revelaram esquemas de desvio de verbas educacionais, desde contratos superfaturados no MEC até fraudes na merenda escolar. Recursos que deveriam melhorar a aprendizagem acabam alimentando esquemas criminosos, atingindo diretamente crianças e jovens.
Outro erro central é a tentativa de padronizar um país continental por meio de um currículo único e centralizado em Brasília. Esse modelo ignora diferenças regionais e engessa estados e municípios. Experiências internacionais mostram que autonomia regional, dentro de parâmetros mínimos, gera inovação e melhores resultados.
O Brasil não fracassa por falta de potencial. Fracassa por insistir em um modelo educacional ineficiente, ideologizado, centralizador e vulnerável à corrupção. A educação só avançará quando aprender for mais importante do que apenas frequentar a escola — e quando ensinar deixar de ser um instrumento político para voltar a ser um projeto de nação.









