O ano de 2025 marcou uma inflexão relevante na política tecnológica brasileira. Pela primeira vez em décadas, o país conseguiu transformar diretrizes públicas em resultados concretos no campo da soberania tecnológica. Sob a coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Brasil avançou de forma estruturada em áreas estratégicas como tecnologias da informação e comunicação (TICs), inteligência artificial, supercomputação e semicondutores, abandonando o discurso abstrato e apostando em execução.
Os números sustentam essa mudança. Apenas em projetos estratégicos de TICs, o governo federal investiu R$ 267 milhões ao longo de 2025, um crescimento de 116% em relação ao ano anterior. O volume sinaliza que a agenda tecnológica deixou de ser episódica para assumir caráter de política de Estado. A lógica é direta: países que dominam chips, dados e capacidade computacional controlam seu próprio destino econômico, industrial e geopolítico. É dessa premissa que surge a noção de soberania digital — não apenas consumir tecnologia, mas desenvolvê-la, produzi-la e validá-la internamente.
Um dos pilares desse avanço foi a aplicação mais eficiente da Lei de TICs. Ao longo de 2025, o MCTI analisou 316 pedidos de habilitação e publicou 81 portarias, incorporando 1.851 novos modelos de produtos ao regime de incentivos fiscais. O resultado foi maior previsibilidade jurídica e segurança para empresas investirem em inovação no país. No mesmo sentido, o TECNAC consolidou-se como instrumento técnico relevante, com mais de 76% dos pleitos aprovados, reforçando a maturidade dos projetos nacionais.
A modernização administrativa também entrou na agenda. O SigPlani, sistema que centraliza processos da Lei de Informática, passou por atualização estrutural, adotando métodos ágeis, automação de controles e transmissão de dados em tempo real. O objetivo é simples: fazer o Estado responder à velocidade do setor tecnológico.
Na infraestrutura de base, o país avançou em supercomputação com o fortalecimento do Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (SINAPAD). Visitas técnicas a universidades como Unicamp, UFRJ, UFPE e UFRN evidenciaram a formação de capacidade técnica necessária para pesquisa científica de alto impacto. Esse movimento está alinhado ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que articula computação, formação de talentos e desenvolvimento de soluções baseadas em dados nacionais.
No plano internacional, o Brasil ampliou sua presença em fóruns estratégicos como G20 e BRICS, além de integrar iniciativas como a BRICS Cloud e a EU-LAC Supercomputer Network. Memorandos assinados com países da Ásia, Europa e América Latina reforçaram a diplomacia tecnológica.
O maior desafio permanece nos semicondutores. Hoje, mais de 85% dos chips usados no país são importados. Para enfrentar essa dependência, o MCTI estabeleceu a meta de dobrar a participação brasileira na cadeia global até 2033. O PADIS já concedeu mais de R$ 1,2 bilhão em incentivos fiscais desde 2020, enquanto FNDCT e Finep aportaram mais de R$ 200 milhões em pesquisa e desenvolvimento. Para 2026, o orçamento previsto supera R$ 1,2 bilhão.
O conjunto dessas ações não é disperso. Trata-se de um projeto estruturado para garantir que o Brasil não permaneça refém de cadeias externas em tecnologias que definirão o século XXI.










