O ex-presidente Jair Bolsonaro, de 71 anos, está programado para realizar uma artroscopia no ombro direito no final de abril de 2026. O procedimento minimamente invasivo, feito com auxílio de câmera, foi indicado após a fisioterapia não apresentar o resultado esperado no tratamento de dores crônicas e limitação de movimentos na região. A indicação médica foi detalhada em relatórios enviados pela defesa do ex-presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF) no início de abril, descrevendo um quadro de dor intensa que compromete a rotina do paciente.
Segundo os médicos, as dores são possivelmente resquícios de uma queda sofrida por Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal no início do ano. A cirurgia não pôde ser realizada imediatamente por uma razão clínica objetiva: o ex-presidente havia acabado de se recuperar de uma broncopneumonia bacteriana bilateral, contraída por provável broncoaspiração, que o levou à internação no Hospital DF Star, em Brasília, em 13 de março de 2026.
O quadro foi considerado o mais grave de pneumonia já enfrentado por Bolsonaro. Ele passou vários dias na UTI, com piora temporária da função renal e aumento dos marcadores de inflamação, recebendo alta hospitalar apenas em 27 de março, após cerca de 14 dias internado. O cardiologista Brasil Caiado, que lidera a equipe médica, informou que a recuperação completa de uma pneumonia em idosos pode levar de 45 a 90 dias, e que o tratamento continua em casa. A equipe envia laudos semanais ao STF sobre a evolução do quadro geral.
Foi justamente o estado de saúde delicado que motivou o ministro Alexandre de Moraes a autorizar a prisão domiciliar temporária de Bolsonaro por 90 dias, a partir de março de 2026, por razões humanitárias. O ex-presidente está em casa com tornozeleira eletrônica, proibido de usar redes sociais e com restrições de contato. Visitas dos filhos Flávio, Carlos e Jair Renan são permitidas em horários fixos, e a defesa pediu autorização para que o irmão de criação de Michelle Bolsonaro atue como cuidador. Moraes também ampliou o perímetro de restrição para sobrevoo de drones perto da residência, de 100 metros para 1 quilômetro.
O protocolo médico estabeleceu um intervalo de cerca de quatro semanas após a alta hospitalar antes de realizar a cirurgia no ombro, garantindo segurança ao procedimento. Isso situa a operação no final de abril, mas a realização ainda depende de autorização judicial, já que Bolsonaro cumpre prisão domiciliar no âmbito das investigações sobre tentativa de golpe de Estado, sob supervisão do STF. Além das complicações recentes, o ex-presidente convive com outras comorbidades, como hipertensão e refluxo, o que torna o acompanhamento médico contínuo indispensável.










