Na madrugada do dia 28 de março de 2026, a bancada governista celebrou abertamente a derrota do relatório final da CPMI do INSS, conhecida como a “CPMI do Roubo dos Aposentados”. O documento elaborado pelo deputado relator Alfredo Gaspar (União-AL) foi rejeitado por 19 votos a 12, em uma votação que expôs, mais uma vez, a disposição da base do governo Lula em proteger aliados e travar investigações que chegam perto do Palácio do Planalto.
O relatório derrubado pedia o indiciamento de mais de 200 pessoas envolvidas em fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Entre os nomes listados estavam parlamentares, ex-ministros e, o mais polêmico de todos, Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente da República. Para a base governista, isso foi suficiente para classificar o documento como “parcial” e instrumento de “perseguição política” — argumento utilizado como escudo sempre que investigações se aproximam do núcleo do poder.
As imagens da sessão falam por si: parlamentares da base comemorando, rindo e festejando o encerramento de uma comissão que deveria defender os mais vulneráveis — os aposentados brasileiros vítimas de descontos ilegais e roubos sistemáticos em seus benefícios.
O desfecho foi ainda mais grave do ponto de vista institucional. O STF negou o pedido de prorrogação dos trabalhos, e o presidente da comissão, Carlos Viana, sequer colocou em votação o relatório alternativo apresentado pela base lulista. O resultado: a CPMI se encerrou sem nenhum relatório final aprovado, sem recomendações oficiais de punição e sem qualquer responsabilização parlamentar pelos crimes investigados.
Na prática, as investigações sobre as fraudes previdenciárias ficam agora exclusivamente nas mãos da Polícia Federal e do Ministério Público — órgãos que, diferentemente do Congresso, não podem ser controlados por votos articulados na madrugada.
O episódio é mais um capítulo de um padrão que se repete: a bancada governista se une ao Centrão para barrar avanços no combate ao crime. A impunidade, ao que tudo indica, não é um efeito colateral deste governo — é uma política.
Os aposentados que tiveram seus benefícios roubados seguem sem resposta. O Congresso, que deveria ser sua voz, escolheu o silêncio — e o fez entre risadas.










