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Áudio flagra parlamentares combinando acusações falsas contra relator da CPMI do INSS

Um episódio de grande repercussão no Congresso Nacional colocou em xeque a conduta de dois parlamentares durante o encerramento da CPMI do INSS. Em 27 de março de 2026, um microfone aberto captou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) combinando, nos bastidores de uma coletiva de imprensa, o roteiro de acusações graves que fariam logo em seguida contra o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).

No áudio, Soraya é ouvida repassando os pontos da denúncia e mencionando que a situação gerava angústia há dias. Lindbergh fala em “proteger uma família vítima” e cita a existência de gravações que comprovariam crimes. Em seguida, os dois protocolaram uma notícia de fato na Polícia Federal, acusando Gaspar de estupro de vulnerável, pedofilia e tentativa de suborno em um caso supostamente ocorrido em Alagoas.

O problema: a principal “prova” apresentada desmoronou rapidamente. A mulher apontada por Lindbergh como filha de Gaspar, fruto de um estupro, veio a público negar a acusação. Lorileine da Silva afirmou ser filha de um primo do deputado, Maurício Breda, e comprovou o parentesco com exame de DNA e certidões, desmentindo toda a narrativa construída pelos parlamentares.

A reação de Gaspar foi imediata e em duas frentes. No campo político, ele classificou o episódio como “o maior ataque à honra já sofrido por um parlamentar no exercício do cargo” e entrou com pedidos de cassação de mandato de Lindbergh e Soraya no Conselho de Ética, por quebra de decoro parlamentar. No campo jurídico, protocolou queixa-crime no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça, pelos crimes de denunciação caluniosa, injúria e difamação. Se condenados, os parlamentares podem pegar até 8 anos de reclusão e responder por indenizações por danos morais.

O contexto é decisivo: a CPMI investigou fraudes bilionárias contra aposentados e o STF chegou a barrar a prorrogação dos trabalhos em 26 de março de 2026, forçando a votação do relatório final, que propõe o indiciamento de mais de 200 pessoas. Para Gaspar, o ataque foi uma tentativa de invalidar o documento. “Eles escolheram atacar a minha família porque não conseguiram rebater os dados da investigação”, declarou em plenário.

Os processos de cassação foram protocolados entre 28 e 31 de março de 2026 e seguem tramitação inicial nos Conselhos de Ética da Câmara e do Senado. A previsão é que os relatores sejam sorteados na primeira quinzena de abril, com parecer preliminar na segunda quinzena. O caso na Polícia Federal, aberto pelos próprios Lindbergh e Soraya, também segue em análise, agora sob o peso do áudio que expôs a estratégia antes mesmo da denúncia ser formalizada.


Fontes: Câmara dos Deputados; Senado Federal; Supremo Tribunal Federal; Polícia Federal; CPMI do INSS.

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