Era 2021 e Geraldo Alckmin, ainda como pré-candidato nas prévias do PSDB, disparava contra o PT: “Depois de ter roubado a nação, o PT quer voltar à cena do crime.” Cinco anos depois, o mesmo Alckmin é quem volta e desta vez como vice na chapa de reeleição do presidente Lula.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, na manhã de 31 de março de 2026, durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, a reedição da chapa com Geraldo Alckmin (PSB) para a disputa à reeleição presidencial de outubro. A decisão encerrou meses de especulações sobre possíveis mudanças na composição.
Para isso, Alckmin precisará se desligar do ministério que comandou por mais de três anos. O vice-presidente confirmou que deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) no dia 2 de abril, antecipando o prazo legal, já que o dia 4 cai após a Sexta-Feira Santa. A saída atende às exigências da Lei de Inelegibilidades, que determina a desincompatibilização de ministros seis meses antes do pleito.
Alckmin, no entanto, permanece no cargo de vice-presidente da República. A regra de desincompatibilização não se aplica à vice-presidência, com uma exceção: caso o vice exerça temporariamente a Presidência dentro dos seis meses que antecedem a eleição, se tornaria inelegível.
A saída de Alckmin faz parte de uma reforma ministerial de grande escala. Lula oficializou a reestruturação da Esplanada com a saída de 18 dos 39 ministros, que deixarão seus cargos até o dia 4 de abril para concorrer a cargos eletivos ou coordenar campanhas. Entre os que saem estão Camilo Santana (Educação, candidato ao Senado pelo Ceará), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais, candidata à Câmara pelo Paraná), Renan Filho (Transportes, em busca do governo de Alagoas) e Alexandre Silveira (Minas e Energia, candidato ao Senado por Minas Gerais), entre outros.
Para suprir a saída de quase metade da equipe ministerial, Lula optou por não nomear novos perfis políticos, priorizando a promoção de secretários-executivos e remanejamentos internos, com o objetivo de evitar a paralisação de projetos nos últimos meses de mandato. A aliança entre Lula e Alckmin, construída em 2022 sob o argumento da defesa da democracia frente a Jair Bolsonaro, agora se consolida para mais um ciclo. O pragmatismo enterrou a retórica e a frase sobre a “cena do crime” virou peça de museu da política brasileira.
Fontes consultadas: Agência Brasil/EBC — agenciabrasil.ebc.com.br; Tribunal Superior Eleitoral (TSE), regras de desincompatibilização — www.tse.jus.br; Palácio do Planalto — www.gov.br/planalto.










