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Esquerda caindo na América Latina

A queda da esquerda no continente abre caminho para a retomada da direita e coloca pressão sobre o governo brasileiro.

As eleições no Chile refletem uma tendência que a esquerda da América Latina vai ter que lidar: a volta dos candidatos de centro direita e direita ao poder. O resultado chileno não é um episódio isolado, mas parte de um movimento que ganha força em vários países do continente, marcando o enfraquecimento do ciclo progressista que dominou a região entre 2018 e 2022.

Durante esse período, governos de esquerda chegaram ao poder com promessas de renovação, inclusão social e combate às desigualdades. No entanto, nos últimos dois anos, a região registrou uma série de derrotas eleitorais, crises administrativas e rejeição crescente aos projetos progressistas.

A queda recente da esquerda na América Latina

Argentina apresentou o cenário mais simbólico dessa virada. O colapso econômico, a inflação fora de controle e o desgaste do kirchnerismo abriram caminho para a eleição de Javier Milei. O peronismo deixou a presidência depois de anos de domínio, substituído por uma plataforma de choque liberal e discurso de ruptura.

No Chile, o governo de Gabriel Boric perdeu força rapidamente. Duas propostas de Constituição de viés progressista foram rejeitadas pela população, e a centro direita voltou a ganhar protagonismo no Parlamento. O resultado das eleições mais recentes reforçou a percepção de que o governo perdeu conexão com parte significativa do eleitorado.

No Peru, o fim do governo de Pedro Castillo foi abrupto. Seu mandato ficou marcado por instabilidade, escândalos, conflitos institucionais e a tentativa de autogolpe que resultou em queda imediata. A esquerda peruana perdeu espaço e não conseguiu recuperar o protagonismo político.

A Colômbia vive processo semelhante. Gustavo Petro enfrenta queda acelerada de popularidade, dificuldades econômicas e denúncias envolvendo aliados próximos. Sua base no Congresso se fragmentou, e pesquisas apontam fortalecimento de grupos conservadores e liberais.

No Uruguai, a esquerda permanece fora do poder desde 2019. A centro direita consolidou posição com o governo de Luis Lacalle Pou, mantendo aprovação considerável e criando barreiras para o retorno da Frente Ampla.

Em países como Equador e Paraguai, a esquerda continua fraca. O Equador vive alternância entre centro e direita, enquanto o Paraguai permanece sob domínio do Partido Colorado, que mantém hegemonia eleitoral há décadas.

Por que a esquerda está perdendo força

A queda desse ciclo progressista pode ser explicada por quatro fatores principais.

O primeiro é a economia. A região enfrentou inflação alta, baixo crescimento, fuga de investimentos, crises fiscais e perda de renda. A capacidade de entrega dos governos ficou comprometida. Em países como Argentina e Colômbia, o desgaste econômico se tornou insustentável.

O segundo fator é a segurança pública. O avanço das facções criminosas, o narcotráfico e a violência urbana ampliaram a demanda por discursos de autoridade e ação direta. Governos de esquerda, em geral, tiveram dificuldade de apresentar resultados rápidos nessa área.

O terceiro fator envolve escândalos políticos, promessas não cumpridas e dificuldades de gestão. A imagem de instabilidade administrativa fragilizou lideranças progressistas e ampliou a rejeição.

O quarto é a fadiga do eleitor. Após anos de discursos ideológicos, parte da população busca alternativas mais pragmáticas, especialmente em momentos de crise profunda.

E o Brasil? A direita pode voltar ao poder

O Brasil acompanha essa tendência continental. O governo Lula enfrenta queda de aprovação, dificuldades econômicas, disputas internas, pressões do Congresso e crescente inquietação social. Pesquisas recentes mostram que a rejeição ao governo já supera a aprovação em diversos institutos, enquanto o humor do eleitor se deteriora.

As eleições municipais de 2024 evidenciaram fortalecimento da direita nas principais capitais do país. O ambiente para 2026 ainda está indefinido, pois a oposição não apresenta nome consolidado, mas o cenário é favorável para o retorno da direita, sobretudo se a economia não reagir nos próximos meses.

A eleição chilena apenas confirmou o que já se desenha no continente. O ciclo de esquerda perdeu força, e a América Latina volta a flertar com alternativas conservadoras, liberais e até disruptivas.

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