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A democracia brasileira de Lula e seus comparsas

A democracia tende a ser a pior escolha quando aplicada a um país majoritariamente marcado pelo analfabetismo funcional e por uma população anestesiada pelo entretenimento vulgar. Isso não é um insight contemporâneo, nem uma provocação pessoal. É um alerta clássico. Platão já tratava do tema há mais de dois mil anos, em A República, especialmente no Livro VIII, ao descrever a degeneração dos regimes políticos conforme se afastam da razão e da virtude.

Para Platão, o regime ideal era a aristocracia — ou sofocracia — o governo dos sábios, orientado pela razão. A partir daí, inicia-se a decadência: a timocracia, movida pela honra e pela glória militar; a oligarquia, em que a riqueza concentra o poder nas mãos de poucos; a democracia, que ele via como o domínio da liberdade excessiva, da indisciplina e da falta de critério; e, por fim, a tirania, que surge inevitavelmente do caos democrático. Para o filósofo, a democracia não termina em justiça, mas em autoritarismo — não por acidente, mas por consequência lógica.

O Brasil atual caminha exatamente nessa direção: uma tirania judicial pavimentada por uma oligarquia incompetente, formada no pós-guerra e consolidada ao longo de décadas. Não se trata de uma elite esclarecida, mas de uma oligarquia burra, sustentada por ignorância funcional, clientelismo e dependência estatal. Pernambuco é um exemplo emblemático desse processo. A família Arraes demonstra como uma oligarquia regional pode destruir um estado por dentro, substituindo autonomia por dependência, trabalho por assistencialismo e identidade histórica por submissão política.

O povo pernambucano sempre foi conhecido por sua força, resistência e espírito combativo. Hoje, uma parte significativa foi transformada em massa dependente de programas sociais, condicionada a sobreviver do mínimo e a confundir miséria com virtude. O mais grave é que a geração atual, especialmente no Nordeste, muitas vezes sequer compreende o próprio estado de degradação em que vive. Há quem encontre glamour na pobreza, prazer na escassez e identidade na dependência. Isso não é romantização: é uma geração perdida, educada para não reagir.

Nada disso é acidental. Uma das táticas utilizadas nesse processo é a chamada estratégia da “terra arrasada”. Originalmente militar, ela consiste em destruir deliberadamente recursos para impedir que o inimigo avance ou se reestruture. No campo político, essa lógica é aplicada por meio de gestões públicas irresponsáveis, que deixam dívidas impagáveis, desmontam estruturas administrativas, sabotam registros e inviabilizam qualquer tentativa de reconstrução posterior. A Lei de Responsabilidade Fiscal existe justamente para conter esse tipo de prática, mas frequentemente é burlada ou ignorada.

O efeito é previsível: colapso educacional, dificuldade de acesso à moradia digna, empobrecimento estrutural e migração em massa. Milhões deixam seus estados de origem para servir como mão de obra barata em outras regiões, criando bolsões de pobreza, pressão social e dependência contínua do sistema político que os produziu. Esse fluxo alimenta o ciclo “democrático” de votos controlados pela necessidade, não pela consciência.

O próprio atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, já admitiu publicamente que, quando a população começa a ascender economicamente, deixa de votar em partidos de esquerda. Essa frase, por si só, desmonta qualquer narrativa moral. O cálculo é simples e cínico: prosperidade gera autonomia; autonomia gera liberdade política; liberdade ameaça o poder.

A estratégia, portanto, é elementar: empobreça a população para se manter no poder. Governe pela caneta, não pelo mérito. Substitua razão por emoção, trabalho por subsídio, cidadania por dependência. Platão estava certo. A democracia, quando aplicada a um povo deliberadamente mantido ignorante, não produz liberdade. Produz tirania.

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