A escrita à mão, habilidade que moldou sociedades inteiras ao longo da história, enfrenta hoje um declínio acelerado entre os mais jovens.
Embora nenhuma classificação oficial defina uma “geração que desaprende a escrever”, o fenômeno já está claramente concentrado na Geração Z e, principalmente, na Geração Alfa. Trata-se do primeiro momento em que crianças e jovens passam a vida inteira imersos em telas, teclados e interfaces digitais, reduzindo drasticamente o tempo de contato com o papel.
A Geração Z, nascida entre 1997 e 2010, cresceu em um ambiente de forte digitalização escolar. Trabalhos passaram a ser feitos no computador, a comunicação migrou para o celular e o aprendizado visual substituiu parte dos exercícios manuais. Como consequência, muitos jovens apresentam hoje letra irregular, perda de velocidade, menor resistência muscular nas mãos e dificuldade para produzir textos longos manualmente. Em países como Estados Unidos e Reino Unido, estudos já indicam queda na habilidade cursiva e aumento do uso quase exclusivo de letra de forma.
Entre os nascidos a partir de 2010, a chamada Geração Alfa, o fenômeno é ainda mais acentuado. As crianças desse grupo realizam tarefas em tablets, aprendem por plataformas digitais e passam boa parte da infância fazendo atividades motoras em telas, e não com lápis e caderno. Educadores relatam dificuldades crescentes em habilidades como segurar o lápis corretamente, manter linhas retas, organizar frases no papel e sustentar períodos longos de escrita sem fadiga. A motricidade fina tradicional vem sendo substituída por gestos digitais simples, como toques, arrastos e comandos por voz.
O impacto não está apenas na estética da letra. Pesquisas em neurociência mostram que escrever à mão estimula áreas fundamentais do cérebro relacionadas à memória, criatividade, raciocínio e organização do pensamento. Quando essa prática diminui, os estudantes podem apresentar menor retenção de conteúdo, mais dificuldades de leitura e ortografia e menos capacidade de estruturar ideias complexas.
O desafio agora é equilibrar tecnologia e desenvolvimento cognitivo. A escrita à mão não precisa disputar espaço com tablets e inteligência artificial, mas continuar existindo como ferramenta essencial na formação. Em um mundo em que tudo se resolve com um toque ou com um comando de voz, aprender a escrever continua sendo, acima de tudo, aprender a pensar.









