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Alianças preocupam o presidente Lula

Centrão e direita se alinham no Congresso e reduzem espaço de Lula

Derrotas sucessivas, afastamento de partidos da base e votações simbólicas mostram que o governo perdeu o controle da pauta da Câmara e enfrenta um bloco pragmático mais forte do que o Planalto.

A cena política de Brasília em 2025 revela um movimento claro. O governo Lula já não tem o comando natural sobre o Congresso e, cada vez mais, depende de negociações difíceis para aprovar qualquer agenda mínima. A força que se consolidou é uma combinação de interesses entre o Centrão e partidos de direita, especialmente aqueles ligados ao Partido Liberal. Essa união não é ideológica. É pragmática. E hoje ela produz mais resultados do que as articulações do Palácio do Planalto.

Um dos exemplos mais evidentes foi a aprovação do chamado Projeto Antifaccoes. O texto passou com uma margem esmagadora e mostrou que o governo perdeu a capacidade de controlar a própria base. Partidos que ocupam ministérios votaram em bloco com a oposição, expondo uma fissura que já vinha se formando nos bastidores. Não foi apenas uma derrota legislativa. Foi um indicador de força do Parlamento sobre o Executivo.

Outro episódio marcante foi a rejeição da Medida Provisoria que tratava de ajustes na cobrança do imposto sobre operações financeiras. A medida perdeu validade por falta de votos. Em Brasília, uma derrota desse tipo é um recado cristalino: o governo não tem maioria confiável e depende totalmente do humor político do Centrão, que agora opera com uma liberdade rara. A Câmara também derrubou o decreto que alterava a alíquota do imposto, ampliando o desgaste do Planalto. A maior parte desses votos veio de partidos que oficialmente compõem a base aliada.

A situação se agravou após o afastamento formal do Uniao Brasil e do Partido Progressista, que juntos passaram a atuar como um bloco independente com mais de cem parlamentares. Esse movimento liberou o Centrão para negociar simultaneamente com o Planalto e com a direita, aumentando seu poder de barganha. É o cenário perfeito para um grupo que sempre viveu de equilíbrio e oportunidade.

A direita, por sua vez, enxergou espaço para se reorganizar e adotar uma estratégia de desgaste permanente. Aproveitando as críticas de Lula ao Congresso e a disputa por verbas e cargos, partidos conservadores articularam uma série de iniciativas contra o governo, incluindo projetos que buscam sustar decretos, travar políticas e empurrar o Planalto para a defensiva. Em vez de agir isoladamente, como ocorreu em outros momentos, a oposição agora opera alinhada ao centro pragmático.

O resultado é um Congresso Nacional que atua como um centro de gravidade política maior do que o próprio Palácio do Planalto. Lula precisa negociar cada voto, ajustar discursos, liberar emendas e aceitar modificações profundas em projetos importantes. O presidencialismo de coalizão segue funcionando, mas com uma diferença sensível. O Executivo não lidera mais o processo. Ele reage a ele.

Como isso afeta São Paulo e o Grande ABC

O cenário nacional repercute diretamente no maior estado do país e em regiões industriais como o Grande ABC. Com o governo fragilizado, programas federais podem atrasar, recursos podem ser redistribuídos de acordo com interesses parlamentares e obras estratégicas deixam de ser prioridade. Emendas destinadas a infraestrutura, indústria, mobilidade e segurança podem virar moeda de troca em disputas com o Centrão.

Para o Grande ABC, que depende de políticas industriais e de investimentos públicos, a instabilidade política em Brasília gera incerteza econômica e institucional. Quanto mais o Congresso dita o ritmo, menos previsibilidade existe para políticas de longo prazo.

Como isso afeta o Brasil

Nacionalmente, o alinhamento entre Centrão e direita cria um modelo de governabilidade condicionada. O governo não está paralisado, mas precisa ceder em quase tudo. Isso compromete reformas, atrasa projetos estratégicos e reduz a capacidade de planejamento. O Parlamento se fortalece, o Executivo perde autonomia e o presidente enfrenta um bloco que hoje tem votos suficientes para impor derrotas constante

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