A entrega do celular, do computador e do passaporte de Paulo Henrique Costa, ex presidente do Banco de Brasília, à Polícia Federal transformou um caso técnico em um movimento de forte impacto político. O gesto, que chegou acompanhado de senha liberada e colaboração imediata, coloca Brasília em estado de atenção absoluta. A PF espera extrair desses dispositivos informações capazes de ampliar o raio da Operação Compliance Zero, investigação que mira possíveis operações financeiras fraudulentas entre o BRB e o Banco Master.
O ponto central da crise não está na entrega dos aparelhos, mas no conteúdo que eles podem revelar. A PF trabalha com a hipótese de que houve compra de títulos de crédito que, segundo a investigação, podem ser fraudulentos. O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, já está preso preventivamente. O afastamento de Paulo Henrique, por decisão judicial, abriu um vácuo dentro do BRB e expôs uma relação pouco transparente entre agentes financeiros e decisões internas da instituição.
A apreensão e análise de um celular corporativo neste tipo de investigação costuma ser decisiva. Mensagens, e mails, registros de reunião e aplicativos de comunicação podem ligar pontos que antes estavam dispersos. É esse potencial que transforma o ato da entrega em um momento crítico. Brasília sabe que dispositivos eletrônicos, quando vasculhados, desmontam versões e expõem bastidores.
O caso também produz efeitos no campo político. Paulo Henrique Costa era figura de confiança do governador Ibaneis Rocha. Sua permanência no comando do banco dependia não apenas de currículo técnico, mas também de articulação política. A crise, portanto, respinga diretamente no governo do Distrito Federal, que agora precisa administrar o impacto institucional e o desgaste que alcança o núcleo da gestão. O silêncio recente de Ibaneis diante da prisão de Jair Bolsonaro ampliou ainda mais o ruído, deixando a impressão de um governo que tenta atravessar a tempestade evitando qualquer atrito.
A tensão também alcança a cena nacional. Bancos públicos sempre são foco de atenção quando há suspeitas de irregularidades, e qualquer problema interno alimenta narrativas sobre fragilidade na supervisão, no controle e na governança. Mesmo sem envolver diretamente o governo Lula, investigações desse tipo provocam ruído político, geram especulação e dão munição para questionamentos sobre o ambiente institucional do país.
Com o depoimento de Paulo Henrique marcado para o dia primeiro de dezembro, cresce a expectativa sobre o que será confirmado, negado ou aprofundado. Brasília respira tensão. A PF aperta o cerco. E o conteúdo do celular pode inaugurar a fase mais explosiva da investigação.










