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Mosaico de 230 dC afirma Jesus como Deus e reacende debate histórico sobre a fé cristã

Arqueólogos revelam inscrição que chama Jesus de “Deus”, uma das evidências mais antigas da cristologia primitiva

Uma descoberta arqueológica no norte de Israel voltou a movimentar o debate sobre as origens da fé cristã. Trata se do famoso mosaico encontrado em Megido, datado por especialistas em aproximadamente 230 dC. A peça foi revelada ao público de forma mais ampla após restaurações e confirmações arqueológicas recentes. No mosaico, uma inscrição em grego declara que uma mulher chamada Akeptous ofereceu uma mesa “ao Deus Jesus Cristo”. Esta frase direta e clara representa uma das primeiras evidências materiais em que cristãos de comunidades antigas afirmam explicitamente a divindade de Jesus muito antes do Concílio de Niceia, realizado apenas no ano 325.

O mosaico foi descoberto em uma sala de culto cristão, provavelmente uma casa adaptada para reuniões, o que revela também como viviam e praticavam sua fé os primeiros seguidores de Cristo. O fato de mulheres aparecerem como doadoras e financiadoras deste espaço reforça a importância feminina na construção da comunidade cristã nas primeiras gerações. A inscrição, portanto, não é apenas um registro artístico, mas um documento de fé, uma afirmação teológica e um testemunho histórico.

A relevância deste achado ultrapassa o campo acadêmico. Ele toca em um ponto sensível e profundo do diálogo religioso contemporâneo: a compreensão sobre quem é Jesus. Para o cristianismo, desde seus primeiros séculos, Jesus Cristo é reconhecido como Deus encarnado. Já no judaísmo, a visão é diferente. Para o povo judeu, Jesus é visto historicamente como um mestre judeu, um pregador ou um personagem importante, mas não como Deus. Esta divisão não é uma disputa moderna, mas uma divergência que atravessa milênios e faz parte da evolução filosófica das religiões abraâmicas. Cada tradição seguiu seu próprio caminho teológico, moldado por textos, interpretações e experiências espirituais distintas.

A descoberta do mosaico não resolve esta diferença e não tem a função de confrontar nenhuma tradição religiosa. O que ela faz é iluminar um período muito precoce do cristianismo em que pequenas comunidades, reunidas em casas, já expressavam uma fé madura, organizada e profundamente convencida da natureza divina de Jesus. É um registro material que confirma aquilo que muitos cristãos já sabiam pela teologia e pelos textos bíblicos: a afirmação da divindade de Cristo não foi uma invenção tardia, mas algo vivido e declarado pelos primeiros discípulos e suas comunidades.

Para pesquisadores, o mosaico abre portas para novas reflexões sobre a formação das crenças cristãs e sobre como estas ideias circularam entre povos e culturas. Para o público cristão atual, a inscrição é recebida como um testemunho histórico poderoso, um eco direto da igreja primitiva, preservado na terra que viu nascer tanto o judaísmo quanto o cristianismo.

A arqueologia, portanto, não apenas recupera pedras antigas. Ela devolve voz aos primeiros que professaram a fé cristã, revela como viviam, como pensavam e como expressavam a esperança que carregavam. E, ao mesmo tempo, ajuda a compreender a trajetória das tradições religiosas que compartilham raízes, mas seguiram caminhos teológicos diferentes ao longo dos séculos.

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