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Michelle surge como uma liderança preocupada em preservar a direita das velhas práticas políticas

Michelle Bolsonaro deixou de ser coadjuvante há muito tempo. Sua reação firme à articulação do PL com Ciro Gomes e ao ataque público dos filhos de Bolsonaro, escancarou algo que vinha se formando em silêncio: ela está assumindo o papel de guardiã da coerência ideológica da direita, enquanto parte do bolsonarismo se arrasta para acordos típicos da velha política.

O estopim foi simples: Michelle não aceitou a aproximação com Ciro, figura que simboliza justamente o modelo de política que o bolsonarismo prometeu superar. Foi criticada. Não se calou. Respondeu de forma direta: respeita opiniões, mas não aceita ser pressionada. E deixou claro, não deveriam atacá-la por manter princípios.

A partir daí, o que era desentendimento interno virou sinal de alerta nacional. O PL revelou sua inclinação ao pragmatismo raso. Os filhos de Bolsonaro mostraram desconforto com alguém da própria casa romper o automatismo familiar e pensar pela própria cabeça. E Michelle, em vez de recuar, consolidou sua posição: ela representa a ala que não aceita trair o discurso, nem vender valores por conveniência eleitoral.

Isso a coloca num ponto estratégico. Enquanto o PL tenta costurar tudo no tapetão, Michelle vocaliza o que boa parte da base conservadora sente, cansaço das raposas políticas, repúdio às alianças contraditórias e a defesa de um projeto que não se curve aos vícios da Nova República. Ela não fala só como esposa do ex-presidente; fala como liderança que entende que perder coerência custa mais caro do que perder votos.

O movimento também expõe fissuras reais. Há o bolsonarismo pragmático, que negocia com qualquer um por espaço. E há o bolsonarismo que Michelle encarna: o que ainda acredita que direita não pode ser variação do centrão. Se essa disputa se aprofundar, o PL vai precisar escolher se continua repetindo o velho roteiro da política brasileira ou se aceita uma renovação interna imposta pela força da base.

No meio disso, Michelle se fortalece. Ganha o respeito de quem quer uma direita limpa de contradições. Ganha protagonismo entre mulheres, evangélicos e conservadores clássicos. E mostra que não será mais figura decorativa, muito menos alguém que obedece silenciosamente ao que o partido ou os filhos determinam.

Em tempos em que as estruturas partidárias apostam todas as fichas no “vale tudo”, Michelle Bolsonaro se posiciona como a voz que ainda tenta impedir que a direita seja engolida pelos métodos que sempre criticou. E esse é justamente o ponto que dá força ao seu nome: coerência.

Ao assumir esse enfrentamento, ela envia um recado claro, a direita só se manterá viva se resistir às práticas que sempre disse combater. E, gostem ou não, hoje quem sustenta essa resistência dentro do bolsonarismo é Michelle.

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