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Congresso articula CPMI para investigar fraudes bilionárias e colapso do Banco Master

Um forte movimento no Congresso Nacional articula a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o colapso do Banco Master e suas conexões com o setor público. A iniciativa ganhou tração no início de janeiro, quando a oposição anunciou ter alcançado o número mínimo de assinaturas exigido para a criação da comissão.

Até 2 de janeiro de 2026, o requerimento já contava com cerca de 213 assinaturas, sendo 183 de deputados federais e 30 de senadores. O número supera com folga os patamares regimentais: 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado. Com isso, o avanço da CPMI depende apenas da leitura formal do pedido pelo presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, prevista para ocorrer após o fim do recesso parlamentar, em fevereiro.

A CPMI do Banco Master pretende investigar um conjunto de denúncias que envolve fraudes financeiras de grande escala, gestão temerária e operações suspeitas que teriam causado um rombo estimado em até R$ 12 bilhões. O caso ganhou dimensão nacional após a decretação da prisão preventiva do controlador do banco, Daniel Vorcaro, e o afastamento de executivos no final de 2025, pouco antes da liquidação extrajudicial da instituição.

Entre os principais focos da investigação está a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Apura-se se o BRB adquiriu ativos inexistentes ou sem lastro do Master por valores bilionários — estimados em cerca de R$ 12,7 bilhões — e se houve conflitos de interesse e uso indevido de recursos públicos. A instabilidade causada pelo episódio levou o BRB a trocar três vezes de presidente em um intervalo de apenas 48 horas, acendendo alertas sobre governança e responsabilidade administrativa.

Outro eixo central da CPMI será a atuação dos órgãos de fiscalização. Relatórios do Banco Central indicam indícios de criação de carteiras de crédito e fundos fictícios para sustentar artificialmente a liquidez do banco. A comissão também deve apurar por que agências de risco mantiveram avaliações positivas da instituição pouco antes de sua intervenção, levantando suspeitas de falhas graves de supervisão.

Há ainda investigações sobre possíveis conexões políticas e a participação de autoridades com foro privilegiado, além de indícios de que fundos ligados ao crime organizado, inclusive com menções ao PCC, teriam operado por meio do banco.

O caso também provoca tensão institucional. Decisões do ministro Dias Toffoli, que restringiram o acesso da CPMI a dados bancários sigilosos, já geram atritos entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Enquanto isso, o impacto no sistema financeiro é significativo: o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) deverá iniciar, em 2026, o maior pagamento de sua história, com cerca de R$ 41 bilhões destinados a aproximadamente 1,6 milhão de clientes afetados.

Articulada por parlamentares como Carlos Jordy (PL-RJ) e Eduardo Girão (Novo-CE), a CPMI é apresentada como um instrumento de pressão por transparência e responsabilização. Para a oposição, o caso do Banco Master extrapola um escândalo financeiro e expõe fragilidades estruturais na fiscalização, na relação entre bancos públicos e privados e no uso de recursos que, direta ou indiretamente, recaem sobre o contribuinte.

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