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Vereador Eduardo Moura pede o impeachment de João Campos

O vereador Eduardo Moura (Novo) protocolou na Câmara Municipal do Recife um pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). A iniciativa tem como base uma denúncia de suposta irregularidade em um concurso público realizado pela prefeitura em 2022, envolvendo a nomeação de um procurador judicial do município.

Segundo o parlamentar, a gestão municipal nomeou Lucas Vieira Silva para uma vaga destinada a Pessoas com Deficiência (PCD). O ponto central da acusação é que o candidato teria apresentado o laudo que comprovaria a deficiência apenas três anos após a realização do certame e depois de ter ficado na 63ª colocação na ampla concorrência. Para o vereador, a nomeação violaria as regras previstas no edital do concurso e a legislação municipal.

O caso ganhou maior repercussão por causa das conexões familiares do nomeado. Lucas Vieira Silva é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas junto ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e de um juiz estadual. Essa circunstância alimentou acusações de favorecimento e de um suposto “fura-fila” no acesso ao cargo público.

Diante da polêmica, o prefeito João Campos anulou a nomeação em 30 de dezembro de 2025. Apesar disso, Eduardo Moura sustenta que o ato não descaracteriza a infração inicial e argumenta que houve crime de responsabilidade e improbidade administrativa. De acordo com o vereador, o simples descumprimento das normas do edital e da Lei Orgânica do Município já seria suficiente para justificar a abertura do processo de impeachment.

Para que o pedido avance, é necessário cumprir os requisitos regimentais da Câmara do Recife, composta por 37 vereadores na legislatura 2025–2028. A abertura do processo depende da assinatura de um terço da Casa, ou seja, 13 parlamentares. Já a condenação final e eventual perda de mandato exigem o voto favorável de dois terços dos vereadores, o equivalente a 25 votos.

O cenário político, no entanto, é desfavorável à oposição. João Campos mantém uma base aliada robusta, estimada em cerca de 30 vereadores, reunindo partidos como PSB, PT, MDB e União Brasil. A oposição formal conta, inicialmente, com apenas sete parlamentares. Mesmo com movimentações recentes de vereadores que deixaram a base governista para se aproximar do grupo da governadora Raquel Lyra (PSD), a oposição ainda não alcança, sozinha, o número mínimo para abrir o processo.

Paralelamente, o episódio ocorre em um momento estratégico da trajetória política de João Campos. Principal nome da oposição estadual, ele lidera pesquisas de intenção de voto para o Governo de Pernambuco em 2026, com percentuais que variam entre 55% e 60%. João Campos é o retrato da velha política pernambucana: famílias que se revezam no poder, fabricam sucessores e preservam práticas que ajudaram a empurrar o estado para a situação atual. O Recife, que já foi chamado de Veneza Brasileira, e Pernambuco, outrora conhecido como o Leão do Norte, hoje assistem à própria decadência. O que se vê é um processo de venezuelização gradual, vendido como projeto social, mas conduzido por uma esquerda local que administra o atraso como se fosse virtude.

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