Deputado cearense do PT cujo assessor foi preso com US$ 100.000,00 (cem mil dólares) na roupa íntima agora deseja chegar ao Senado da República.
O deputado federal José Guimarães (PT-CE), um dos quadros históricos do Partido dos Trabalhadores e atual líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, confirmou que pretende disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. A movimentação já ocorre nos bastidores e faz parte de um projeto político declarado, embora o caminho até a candidatura oficial ainda esteja longe de ser pacificado dentro da base governista no Ceará.
Guimarães vem articulando apoios no interior do estado e afirma contar com o engajamento de dezenas de prefeitos cearenses. O objetivo é consolidar seu nome como opção do PT para a disputa majoritária, reforçando sua trajetória partidária e a proximidade com o Palácio do Planalto. Em entrevistas, o parlamentar já declarou que, caso o PT tenha espaço para lançar um nome ao Senado no Ceará, gostaria de ser o escolhido, ressaltando que mantém diálogo com dirigentes nacionais e que o projeto é conhecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar disso, o cenário está longe de ser simples. A formação da chapa ao Senado envolve negociações delicadas entre partidos aliados, além da existência de outros nomes competitivos dentro e fora do PT. Pesquisas recentes mostram José Guimarães entre os pré-candidatos, mas em situação de empate técnico com concorrentes de diferentes legendas, o que indica uma disputa aberta e sem favoritismo consolidado neste momento. Lideranças da base governista reconhecem que a definição final dependerá de arranjos políticos e estratégicos que só devem se fechar mais próximo das convenções partidárias.
Além da disputa eleitoral, o passado judicial do deputado volta ao debate sempre que seu nome ganha projeção nacional. Guimarães já esteve envolvido em apurações e processos no passado, mas atualmente não responde a ações penais em andamento. O episódio mais conhecido é o caso dos “dólares na cueca”, ocorrido no início dos anos 2000, quando um assessor do parlamentar foi preso com dinheiro em espécie no aeroporto de Congonhas. Houve investigação e o caso chegou à Justiça Federal, mas o processo foi extinto por prescrição, sem condenação e sem comprovação de irregularidade atribuída ao deputado.
Em 2016, Guimarães também foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao STF por supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusações que ele sempre negou. A denúncia, no entanto, não resultou em condenação nem em ação penal ativa com julgamento de mérito. Mais recentemente, seu nome apareceu em menções relacionadas a investigações sobre emendas parlamentares, mas não há confirmação de que seja alvo formal de inquérito. O próprio deputado divulgou certidões do STF atestando a inexistência de processos em seu nome.
Com isso, José Guimarães entra no jogo de 2026 tentando equilibrar articulação política, disputa interna e o peso de um histórico que, embora encerrado judicialmente, segue sendo explorado no debate político.
Seguimos aguardando, sentados, o surgimento de um candidato do lulopetismo que não tenha pendências com a Justiça e apresente imagem verdadeiramente ilibada.










