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Brasil ocupa o 7º lugar entre os países mais perigosos do mundo

Em 2025, o Brasil foi oficialmente classificado como o 7º país mais perigoso do mundo, segundo o mais recente levantamento da ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project). O ranking internacional — reconhecido por medir a intensidade da violência e seus impactos sobre a população civil — não faz distinção entre guerras declaradas e violência sistêmica, traçando um quadri-criterioso panorama baseado no número absoluto de mortes violentas, no risco enfrentado por civis, na extensão territorial da violência e na presença e atuação de grupos armados. Neste contexto, o Brasil figura entre nações marcadas por conflagrações abertas ou crises humanitárias profundas.

No topo da lista estão países como Palestina (1º), onde conflitos armados de longa data ceifam milhares de vidas; Mianmar (2º) e Síria (3º), com guerras civis e repressão sistemática; e México (4º), cujo crime organizado alimenta uma espiral de violência que consome comunidades inteiras. 

É neste cenário global de tensão que o Brasil aparece, lado a lado com países em conflito armado, perfilando uma realidade inquietante para uma democracia de grande escala.

A classificação da ACLED reflete uma violência que ultrapassa números frios. Enquanto Estados fragilizados pela guerra tradicional dominam o topo, o caso brasileiro revela um padrão de violência urbana e rural, pulverizado, complexo e profundamente enraizado em desigualdades, criminalidade organizada e falhas crônicas na segurança pública.

O crime organizado, de fato, é um dos pilares desse problema. Em novembro de 2025, o Brasil também avançou globalmente no Índice Global de Crime Organizado, alcançando a 14ª posição — consolidando-se como um dos países mais afetados pela atuação de facções criminosas no mundo. Esse avanço no índice traduz a lógica crescente de mercados ilícitos dominados por grupos como PCC, Comando Vermelho e outras facções regionais, cuja influência extrapola fronteiras estaduais e contamina instituições públicas, sistema prisional e segurança cotidiana.

No campo dos homicídios, os números mais recentes também causam desconforto entre analistas: apesar de uma redução de 5,4% nas mortes intencionais em 2024, o Brasil ainda registrou cerca de 38.777 homicídios naquele ano. Dados consolidados por sistemas oficiais como o Anuário Brasileiro de Segurança Pública e respaldados por organismos internacionais como a UNODC (ONU-Drogas e Crime) mostram que a violência letal permanece em patamares inaceitáveis para uma sociedade que busca estabilidade e desenvolvimento.

Estar no ranking da ACLED ao lado de zonas de guerra é um alerta claro: a violência no Brasil não é um fenômeno isolado, episódico ou episódico — é estrutural. Reverter essa trajetória exige políticas públicas robustas, integração real entre esferas de governo, reformas profundas no sistema de segurança e no sistema de justiça, e um compromisso nacional com a proteção do cidadão. Sem isso, as estatísticas continuarão colocando a sociedade como principal vítima de um ciclo de violência que não cessa.

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