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Bolsonaro é internado em Brasília para cirurgia de hérnia

A internação de Jair Bolsonaro para uma cirurgia de hérnia, em pleno Natal, expõe mais do que um quadro médico: escancara o caráter político de sua prisão. Não se trata apenas de saúde, nem apenas de Justiça. Trata-se de manter atrás das grades o maior líder da direita brasileira, custe o que custar.

Bolsonaro não é um preso comum. É um ex-presidente, líder popular, responsável por mobilizar milhões de brasileiros e por enfrentar, de forma direta, o establishment político, jurídico e midiático. Desde que deixou o Planalto, tornou-se o principal obstáculo à consolidação de um projeto de poder que não admite oposição forte, organizada e com base social real.

A condenação pesada, a velocidade seletiva dos processos, o uso recorrente de prisões preventivas e medidas excepcionais não seguem um padrão jurídico isonômico. Seguem um padrão político. O objetivo é claro: neutralizar Bolsonaro, isolá-lo, desgastá-lo fisicamente e simbolicamente, e impedir que ele continue sendo o polo de gravidade da direita no Brasil.

A internação sob escolta, com proibição de comunicação, vigilância permanente e controle absoluto, reforça essa lógica. Mesmo diante de um histórico médico grave — consequência direta da facada de 2018 —, o tratamento dispensado a Bolsonaro não busca apenas garantir segurança. Busca controle total.

Não é coincidência que tudo isso ocorra às vésperas de um novo ciclo político. Bolsonaro, mesmo preso e inelegível, segue sendo referência, influência e voz. Sua simples existência desorganiza narrativas, incomoda alianças e impede que a direita seja dissolvida ou domesticada.

A história mostra que prisões políticas raramente começam declaradas como tal. Elas se apresentam como “defesa da democracia”, “proteção institucional” ou “cumprimento da lei”. Mas o tempo costuma revelar o óbvio: quando a Justiça escolhe lado, deixa de ser Justiça e vira instrumento de poder.

Manter Bolsonaro preso não é sobre passado. É sobre o futuro. É sobre impedir que a direita tenha um líder. E isso, goste-se dele ou não, é um fato político — não jurídico.

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