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Projeto Antifacção

O recado é simples. O Estado vai recuperar o território que perdeu

O avanço das facções criminosas no Brasil deixou de ser um problema de segurança pública e se tornou uma questão de soberania. Em diversos estados, quem dita a regra não é o governo, é o comando. Quem decide quem entra, quem sai, quem vive e quem morre em bairros inteiros é o crime organizado. Diante desse cenário, surge o chamado Projeto Antifacção, capitaneado pelo deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP), que propõe elevar o combate ao crime a um novo patamar, tratando facções como organizações terroristas.

Na prática, isso significa endurecer penas, isolar chefes, cortar comunicação de dentro dos presídios e mirar o dinheiro que sustenta essas estruturas. Derrite, que já comandou a Segurança Pública em São Paulo, tem um diagnóstico claro: enquanto líderes continuarem operando o crime de dentro das cadeias, qualquer discurso sobre combate ao tráfico, homicídios e lavagem de dinheiro será apenas teatro. O problema central não é o soldado armado na favela. É o comando empresarial que opera como corporação bilionária.

O projeto prevê até 30 anos de prisão só pela participação na facção, além das penas pelos crimes cometidos, e exige cumprimento de 75% da pena para progressão de regime. Também cria protocolos de isolamento prolongado, impedindo o contato estratégico que hoje ocorre por celulares, bilhetes, visitas e até escritórios de advocacia cooptados.

A medida não nasce do nada. Ela é resposta a um país onde o PCC expandiu influência do Sudeste para o Norte, disputando territórios com grupos como o Comando Vermelho e facções locais. Onde cidades inteiras vivem sob toque de recolher imposto pelo crime. Onde prefeitos, vereadores e empresários já foram executados por desafiar interesses desses grupos. Onde crimes são planejados dentro de presídios, com total naturalidade.

Críticos afirmam que o projeto pode aumentar a população carcerária e gerar abusos. Mas essa crítica ignora o fato de que o crime já está organizado, armado, financiado e territorializado. Quem está preso hoje não está neutralizado. Está trabalhando. Comandando. Expandindo. Lucrando.

O Estado brasileiro demorou para entender, mas agora está diante de uma escolha clara: ou assume o controle, ou admite que existe um Estado paralelo governando pessoas, territórios e economias inteiras.

O Projeto Antifacção é mais do que uma lei. É um teste moral.
Ou o poder público enfrenta a estrutura criminosa com força equivalente, ou continuará anunciando operações para inglês ver enquanto o crime se profissionaliza e o cidadão comum vive sob medo permanente.

O jogo está posto.
Agora o país vai descobrir quem realmente manda.

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